Menos é mais: outra aventura!

Há 2 meses decidi fazer uma viagem de bicicleta entre Lille e Lisboa, na qual decidi levar a casa atrás. Pedalei 4350 km em 22 dias com um par de alforges, uma tenda grande, mudas de roupa e tudo aquilo que oferece conforto quando não temos nenhum. Descobri, depois de finalizar, que  na verdade o conforto é relativo e quando temos mais do que o suficiente deixamos de saber o que é suficiente.

O excesso é perigoso e retira importância. 

Para a próxima aventura decidi redefinir o que é suficiente para mim. Para o fazer é preciso retirar o excesso, que está em todo o lado. Nos vizinhos que vivem uns em cima dos outros, nas praias entupidas de carros e nas filas das caixas de pagamento das lojas. Há excesso de tudo e em todo lado. Além do excesso, quero me ver livre do conforto que impede de identificar o significado do mesmo. Conforto para quem não tem água é tê-la. Conforto para quem tem alguma é tê-la fresca para beber no verão, e para quem tem água em abundância é tê-la quente para tomar banho no inverno. Num mundo de excessos, uma viagem de bicicleta permite-nos reparar na riqueza do mínimo, pois somos obrigados a carregar as tralhas que acumulamos. Quando temos um quarto, queremos uma casa. Quando temos uma casa, queremos outra maior. Quando temos uma maior, é preciso ter uma garagem para guardar o carro que, num futuro breve, já serão dois. É um paradoxo, está visto: quanto mais temos mais queremos. Como combater a natureza humana de quem procura sempre aquilo que não tem?

Por isso mais uma viagem de bicicleta antes que acabe o ano e que sejam necessárias novas resoluções de vida, pois continuo a reflectir sobre aquelas que fiz em 2017. Desta vez com menos: menos tempo, menos quilómetros, menos bagagem, menos conforto, menos companhia. Menos para ter mais consciência e ser capaz de ter em menos o dobro do que antes tinha.

Os desafios são muitos intercalados em um só.

  • Levar menos, muito menos tralha do que levei da última vez. Para isso vou passar de 60 L de bagagem para 23. É mais fácil do que imaginei, confesso. O essencial vai ser sempre essencial e o excesso vai ser sempre excesso. A única diferença é que o segundo só existe quando temos mais que o suficiente, que nos confunde sobre o que é o primeiro.

O que aconteceu quando tirei? Ganhei. O excesso retira-nos liberdade. A bagagem que vou utilizar nesta viagem será fixada directamente na minha bicicleta, ao estilo de quem viaja com uma mochila às costas, a experiência ganha o nome de Bike Packing. Retira-se peso ao porta-bagagem (que fica em casa) e elimina a influência dos alforges laterais. O resultado é uma bicicleta mais ágil com a qual podemos ir mais longe, mais longe, em qualquer tipo de terreno. Somos mais livres quando levamos menos.

  • Ter menos. Menos acessibilidade para redefinir prioridades.

A viagem começa em Agadir e, deixando a “cidade muralha” para trás, vou em direcção a Tiznit, aprofundando-me mais ao sul do Marrocos. Em Tiznit, sob a sombra do Anti-Atlas, começa o verdadeiro desafio, cujo trajecto irá atravessar toda a região desértica no sul do Marrocos, seguindo a famosa Rota das Caravanas (Route of Caravans) até a cidade de Agdz, no vale do Drá.

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Durante mais de 600 km o desafio será o de ultrapassar todas os desafios que só um deserto pode proporcionar, os quais irei certamente descobrir! A partir daí o caminho faz-se em direcção ao Atlas, onde pretendo pedalar e caminhar até o seu ponto mais alto, a mais de 4100 metros acima do mar: Jbel Toubkal.

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Com a meta final a escassos 60 quilómetros de distância, será em Marrakech que espero comemorar a conclusão de mais uma etapa neste aprendizado que é a vida. Ali só mesmo tralhas boas quero ter, daquelas que só ocupam a memória e que são personificadas pelas pessoas que conheces ao longo do percurso. Definitivamente são as pessoas a minha principal motivação para lançar-me nestes desafios. Neste caso, e da mesma forma que o principal sentido, menos para conhecer mais.

A minha companheira de aventuras será uma versão ligeiramente adaptada da bicicleta Riverside 920 da DECATHLON. Embora seja mais uma bicicleta, esta é única e será a própria viagem a contar a sua história!

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O percurso em detalhe pode ser visto aqui: https://ridewithgps.com/routes/27867767

Routoubkal - A bike ride in Temsia , caïdat de Temsia - Google Chrome

Quer saber mais sobre as bicicletas de trekking Riverside? Clica aqui.
Quer saber mais sobre essa e outras aventuras? Clica aqui.
Assiste ao vídeo da última viagem! Clica aqui.

Quer saber sobre a preparação desta aventura? Acompanha o BLOG!

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