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Bikepacking in Morocco, 2018

Lille para Lisboa, 2018

Portugal de Bicicleta, 2017

Já se passou quase uma semana desde que cheguei ao final da viagem Lille para Lisboa.  Total de 4350 km, 22 dias dias sem parar e mais de 240 horas em cima da bicicleta. Confesso: sinto-me pronto para começar a contar a história da próxima aventura! Não é fácil pisar nos travões e aquietar o ímpeto aventureiro que quer sempre ir em frente, em busca de mais descoberta e aventura. No entanto, antes de começar a contar uma nova história, quero antes ainda digerir aquela que ainda está no chão da minha sala. Ainda não guardei o meu saco-cama e já estou a imaginar de que forma o vou transportar com uma configuração de bagagem completamente diferente que, sobretudo, busca o minimalismo! Ah! Não vos conto ainda, que seja o mistério e a proximidade da partida a desvendar o que vem por aí.

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Vamos falar sobre o que aconteceu nas últimas três semanas. Vamos falar sobre três semanas que mais pareciam meses, marcadas pelo imprevisível, sobre planos que não aconteceram, sobre previsões que não enganavam mas que se enganaram (não é suposto pedalar sob tempestades e 9ºC em Junho).

Portanto, estamos no dia 19 de Maio, são 21h30, na mesa estão quatro pessoas, entre elas um rapaz que pretende atravessar todas as regiões da França, os Alpes, os Pirineus, Espanha e alcançar Lisboa, depois de mais de 4300 km em 22 dias de viagem em cima de uma bicicleta. Como sabe que vai pedalar sempre com bom tempo, preparou tudo o que (acha) que precisa para fazer campismo todos os dias. Não sabia (foi o Nico, uma das pessoas que também está na mesa, que disse) mas como é permitido fazer campismo selvagem em França (a partir das 18h até às 7h – ou seja, quando faz noite) decide, alegremente, que também o vai fazer. Em realidade já o iria, mas pensava que seria ilegal e, por isso, não dizia que o faria. 

Aceleramos até o penúltimo dia, uma etapa longa entre Chaves e Espinho, atravessando a dura Estrada Nacional 206, num constante sobe-e-desce. Por incrível que pareça, não temos “nortada”, o vento que sopra 360 dias/ano de norte para sul, para ajudar a finalizar o caminho até Lisboa. Além do vento soprar contra o destino, trás com ele as chuvas que deveriam ter partido há dois dias. Obviamente não é tão preocupante quanto fora nos Alpes, já está muito próximo de casa, mas a sensação de não ser tão bem recebido em casa – vento contra, com chuva – por momentos incomoda. Das 11h passadas em cima da bicicleta, 10h foram sob chuva. Quase tudo o que lhe pertence está ensopado e até o telemóvel, que até então guiava o caminho, decide que chove muito para ser carregado. Com menos de 4% de bateria disponível, sendo que o telemóvel é a principal ferramenta para encontrar o caminho. A receita para economizar bateria é simples e chama-se memória fotográfica. No entanto, o rapaz não possui tal talento e por isso tem que utilizar os vários modos de economia de bateria, inclusive o modo avião para evitar qualquer desgaste desnecessário! É curioso e muito habitual: quando as coisas não estão a correr bem, facilmente conseguem ficar ainda pior. Sem qualquer tipo de apoio tecnólogico para seguir o bom caminho, recorre-se primeiramente às indicações das placas. Obiviamente, não funciona porque as placas não indicam as direções, apenas os destinos, o que significa que se o teu destino não estiver escrito, a tua direção pode ser qualquer uma. O resultado foi que ao invés de seguir direção -> Porto, descobriu-se 15 km mais tarde que estava 15 km mais próximo de Braga e a mesma distância, em oposto, do Porto.

Recuemos ao dia 20 de Maio. São 7h e já estou de pé.
Convidamos algumas pessoas para estarem presentes e pedalarem em conjunto os primeiros 30 km desta aventura. Tento relembrar tudo o que está dentro dos meus alforges para garantir que tenho tudo o que preciso dentro dos meus alforges. Faço isso algumas vezes, mas a sensação de que falta alguma coisa não me deixa em paz. 

Por hoje vou ficar por aqui.
Vai ser interessante recordar os longos dias em cima da bicicleta sentado numa cadeira. Se quiser acompanhar e (re)descobrir essa aventura, acompanhe o BLOG!

 

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