Senta que lá vem história!

Já estou no aeroporto em Lisboa, não dou mais que meia hora até chamarem os passageiros do voo para Paris, que também inclui “yours truly”. Hoje a viagem vai demorar cerca de 4 horas. Duas e alguns trocos de avião até Paris, e outra hora e meia até Lille, infelizmente de carro. Em França, o mês de Maio vai ser marcado pelos vários dias de greve dos condutores do TGV. Curiosamente, no seguimento da fantástica maratona de Paris que, ano após ano, é o desafio para “toute la famille” na capital francesa. Precisamos todos de algum descanso, uma maratona não é brincadeira!

A volta para Lisboa, se é que posso dar-me ao luxo de já imaginar o dia 10 de Junho, vai ser mais demorada. 22 dias de bicicleta e 4300 km, para ser exato. Confesso que a distância é grande e o tempo curto, no entanto, nunca suficiente para hesitar nem que por um segundo.

Enquanto espero pela voz que consegue imitar, caso não o seja, uma senhora muito simpática a chamar-nos à porta de embarque, assim como a maioria das pessoas que, assim como eu esperam, entro naquele estado de reflexão em que tudo o que nos passa pela cabeça tem um ar de epifania. No momento em que me encontro hoje, a minha vida gira à volta da bicicleta. Trabalho, lazer ou paixão, é difícil retirar esta fantástica máquina da equação. Vejo como uma vantagem, pois consigo envolver uma necessidade (trabalho) com outra (paixão). Com prólogos em ditado, um deles é pertinente: “faz o que amas e não trabalhes um único dia”. Não é tão linear e sem vírgulas como a curta frase sugere, mas o que a mim é dito através desse é que não devemos esperar conseguir amar tudo aquilo que engloba a nossa realidade, mas sim encontrar a linha orientadora que nos guia para o equilíbrio em bons e maus momentos. A minha linha é sem dúvida a relação com as pessoas com quem trabalho, curiosamente também apaixonados pela bicicleta.

Considero-me afortunado por estar incluído numa organização que inclui desde uma ideia, a sua concepção (com toda a problemática desta) até a sua utilização. Mais afortunado ainda é ter a sorte de conhecer todas as caras “ocultas” que fazem um processo deveras complicado, parecer simples! “Queres uma bicicleta? Sem problemas, vem cá ter connosco, fazemos uma juntos!” – diz o Nuno, que consegue conjugar 20 vídeo-conferências com um rapaz que só quer dar a volta ao mundo de bicicleta.

A pintura é o primeiro passo, e, através de vários processos que garantem a qualidade de tudo o que é feito ali, uma série de mãos, numa linha dinâmica e quase impossível de acompanhar com os olhos, que produz nada mais, nada menos que 1,7 milhões de bicicletas por ano, finaliza o trabalho de montagem da minha. Para partilhar o esforço, no momento em que o André aparece (outro senhor das duas rodas – com muitas videoconferências em espera) para ver como estão as coisas, começo a montar o meu porta-bagagens, descanso e outros acessórios indispensáveis para viajar de bicicleta. O resultado final é fantástico, e sem dúvida digno de muito mais do que 3 semanas de aventura!

A propósito da viagem de bicicleta, faltam 7 dias para começar a voltar pra casa. Ansioso por tudo o que vou descobrir até lá!

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